“Essa vida viu, Zé. Pode ser boa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra.Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém entendia ela, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé? Sentiu o barulho de granito? Quebrou o braço, Zé? Desculpa!
“Eu sou uma pessoa eterna apaixonada por palavras. Música. E pessoas inteiras. Não me importa seu sobrenome, onde você nasceu, quanto carrega no bolso. Pessoas vazias são chatas e me dão sono. Gosto de quem mete a cara, arrisca o verso, desafia a vida. Eu sou criança. E vou crescer assim. Gosto de abraçar apertado, sentir alegria inteira, inventar mundos, inventar amores. O simples me faz rir, o complicado me aborrece.
“Quer um conselho? Ele lembrará de falar com você, quando você esquecer de falar com ele.
“Esta noite eu vou te roubar pra mim. Te buscar na sua casa, e te trazer pra minha cama. Te acariciar embaixo da coberta e cochichar o nosso futuro que eu vivo planejando. Vou te abraçar forte, e deixar tudo de ruim pra trás. Vou grudar seus pés com os meus. Vou juntar teu corpo ao meu. E dizer a noite toda, o quanto eu te amo…